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Aconselhamento Terapêutico no Tratamento de Indivíduos com Transtorno do Espectro do Autismo

Tradicionalmente, a intervenção para crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) centrou-se em reduzir comportamento inadequado e ensinar habilidades de linguagem, acadêmicas e de independência. Recentemente, tem havido uma maior ênfase na consciência de habilidades sociais e na independência no convívio social.

Esta mudança se deve por conta da abrangência dos critérios de diagnóstico, permitindo a identificação de um maior número de indivíduos com dificuldade nas habilidades sociais e na compreensão social. Independentemente da gravidade dos sintomas apresentados, priorizar o desenvolvimento de habilidades sociais no tratamento tem sido essencial para melhorar a vida de todas as crianças e adolescentes com TEA. Esta mudança no tratamento tem mostrado o quanto o aconselhamento pode ser essencial para a intervenção de indivíduos que fazem parte do espectro. Crianças enfrentando problemas emocionais, como ansiedade, frustração e depressão requerem serviços de aconselhamento para enfrentar os desafios que encontram na medida que vão crescendo.

Normalmente, os indivíduos com autismo falham nas interações  sociais e não são capazes de desenvolver um meio social que forneça-os apoio e conhecimento para se relacionar com os pares. Sem um meio social, e, muitas vezes, desesperados pela aceitação dos pares, os indivíduos com autismo correm mais riscos de apresentarem ansiedade, depressão, bullying e discriminação. Estudos mostram o quanto é importante iniciar o aconselhamento durante a pré-adolescência e adolescência para acompanhar as necessidades emocionais, ajudar os pais e adolescentes a identificar os problemas típicos de desenvolvimento e os problemas relacionados ao autismo. Desta maneira, situações preocupantes (como por exemplo, sentimento de tristeza e isolamento) e crise (ou seja, falta de esperança, abuso de drogas ou suicídio) podem ser evitadas.

A população com TEA tem mais chances de ter comorbidades de problemas de saúde mental do que a população normal. Problemas com ansiedade e depressão são mais comum. Além disso, baixa autoestima e baixa autoconfiança também estão associados com TEA. Em alguns casos, os indivíduos necessitam apoio médico e psiquiátrico.

É recomendado que as crianças com boas habilidades de conversação e pouca dificuldade comportamental participem do aconselhamento.

Os principais objetivos do terapeuta são ajudar as crianças e adolescentes a entender a si mesmos e como eles são percebidos pelos outros (seus pontos fortes e fracos), desenvolver objetivos pessoais e os passos para alcançá-los, aumentar a aceitação do tratamento para promover a responsabilidade pessoal e cooperação com o tratamento. Para muitos clientes, o aconselhamento irá fazer com que a os pensamentos e sentimentos sejam identificados e compreender porque essas emoções e pensamentos foram desenvolvidos.

O aconselhamento também tem um enorme benefício para os pais de indivíduos com autismo. Os pais de indivíduos com TEA, muitas vezes, passam por estresse financeiro, emocional e físico e precisam de apoio para ajudá-los a ter uma melhor qualidade de vida. Para alguns pais, o aconselhamento ajudará a processar melhor o diagnóstico e a seguir os tratamentos recomendados. Frequentemente, as famílias se sentem oprimidas e isoladas da sociedade  por conta das necessidades de seu filho. Muitas famílias têm dúvida sobre quando, ou se devem compartilhar o diagnóstico com seu filho. Ter uma equipe com esses pais para identificar futuros desafios e prepará-los para enfrentá-los é uma ótima opção.

As necessidades das pessoas afetadas pelo autismo são únicas, por isso, as famílias devem procurar profissionais que sejam especializados em TEA. Os profissionais capacitados sabem como se conectar com as famílias que vivenciam o transtorno e como identificar os diversos desafios que enfrentarão ao longo da vida.