29
jun

Sobre castigar os filhos

Muitos pais optam por “deixar de castigo” seus filhos quando fazem algo de errado. Exemplos comuns de castigos são: perder acesso ao videogame por uma semana, ficar sem ver televisão, comer a sobremesa, entre outros. O castigo em si não é necessariamente uma coisa ruim, mas é preciso analisar se essa estratégia está sendo efetiva para cessar os comportamentos indesejados da criança. Veja a seguir algumas considerações para serem feitas:

1)     O castigo sempre é dado para o mesmo comportamento. Se a frequência do comportamento não diminuiu com o castigo constante isso significa que o castigo não está mudando o comportamento. Às vezes, a estratégia dos pais de deixar de castigo é uma resposta padrão, mas se não estiver funcionando, convém considerar outras opções, por exemplo, reforçar diferencialmente os comportamentos adequados que seu filho apresenta;

2)     A consequência deve estar relacionada ao comportamento. Se seu filho joga o controle do videogame no chão, então não ter acesso ao videogame faz muito sentido. No entanto, se o videogame for retirado porque a criança não arrumou o quarto, esse pode não ser o castigo mais lógico. Nesse caso, fazer com que a criança arrume o quarto naquele momento antes de fazer qualquer outra atividade seria o mais prudente para ensiná-la a cumprir suas obrigações;

3)     Duração do castigo. Quando a criança perde por muito tempo o acesso a algo de preferência, isso faz com que oportunidades de reforçar comportamentos apropriados sejam perdidas. Lembre-se de que o reforço é simplesmente qualquer consequência que aumenta a probabilidade futura do comportamento. Se você estabeleceu uma regra de que seu filho não pode usar videogame por um ano, você está perdendo muitas oportunidades para ensinar o comportamento apropriado. O mesmo pode ser dito por um mês ou mesmo por uma semana. Quando pensando nas crianças com autismo, quanto mais oportunidades para reforçarmos comportamentos adequados mais rápida e efetiva será o ensino de novos comportamentos. Outro ponto a ser considerado na duração do castigo é que essa estratégia pode sair pela culatra se você desistir no meio do caminho. Muitas vezes, os filhos são especialistas em fazer uma pergunta repetidamente até que cedemos. A última coisa que queremos é estabelecer um padrão inconsistente de regra, por exemplo, dizer para a criança que ficará de castigo por uma semana, mas, na realidade só ficará por dois dias porque o adulto cansou de ser questionado e abandonou o combinado.

Por essas razões, considere uma tática diferente ao castigo. Por exemplo, se queremos que a criança coopere e obedeça quando damos uma ordem,  é importante definir o padrão que, se for emitido com uma dada frequência ou uma certa duração pode resultar em mais acesso a itens e atividades preferidos. Essa é uma das estratégias alternativas ao castigo e pode trazer resultados mais efetivos.